O que é RPG?

O Role Play Game (RPG) é um jogo de interpretação de personagens, com uma mistura de Teatro e jogo de estratégia, onde tudo que acontece fica por conta da imaginação. Um dos jogadores do grupo, chamado de “mestre” é o responsável pela ambientação do local onde estes personagens se encontram.

 O RPG surgiu no ano de 1974 no estado de Wiscousin, nos Estados Unidos, sendo o lançamento do Dungeons & Dragons (Masmorras e Dragões), criado por Gary Gygax e Dave Arneson, o marco inicial. Antes da criação do RPG, um outro jogo, chamado Chainmail (cota de malha), fora criado em 1971 por Gary Gygax e Jeff Perren.

A ideia consistia em um conjunto de regras que simulassem batalhas medievais, mas começou-se a pensar na seguinte possibilidade: E se os jogadores não mais controlarem exércitos, e sim um único personagem? Essa e outras indagações terminou dando origem a um jogo totalmente diferente e inovador.

Após a primeira edição do Dungeons & Dragons vieram várias outras edições, existentes até os dias atuais, sendo ainda hoje, um dos jogos de RPG mais jogados do mundo.

No Brasil, o jogo chegou no começo da década de 80, com alguns estudantes universitários que podia importar os livros. Alguns amigos fotocopiavam esses livros, o que os tornou conhecidos como a “geração xérox”. A primeira publicação nacional ficou a cargo da editora GSA, com o livro Tagmar, em 1991, cuja ambientação foi baseada nas obras de J.R.R Tolkien. O primeiro livro traduzido foi o GURPS, que é um RPG com regras genéricas para se jogar em qualquer cenário proposto.

Muitas aventuras de RPG são ambientadas em mundos fictícios, mas outros acontecem exatamente no nosso mundo, as vezes mudando apenas o contexto histórico. É sempre bom lembrar que todas as ações do jogo são imaginário, contando também com situações em que a utilização de rolagem de dados ajudam a determinar certas ações não satisfeitas somente com a interpretação. Para organizar algumas dessas ações e a utilização dos dados, existem vários sistemas de regras de RPG, como por exemplo, o famoso sistema D20 que usa os dados de 4, 6, 8, 10, 12 e 20 faces; O Storyteller com dados de 10 faces, e um sistema brasileiro chamado Daemon que se baseia em porcentagens.

O sistema de regras de um RPG permite o equilíbrio na construção de um personagem em relação às ações no jogo. É nele que se encontro todo o conjunto de regras e ações que podem ser tomadas pelos jogadores durante a sessão de jogo. O sistema de regras está ligado diretamente ao cenário, pois é ele que norteia as regras através do bom senso.

Todas as características desse personagem são registradas numa ficha baseada, muitas vezes, num sistema matemático. E nesse sentido, já entre um pouco do que podemos trabalhar com essa ferramenta. Mas nosso trabalho não se limita só nesse ponto. A ideia é podermos trabalhar com desafios durante a história em que a narrativa se passa.

O RPG influencio também alguns jogos eletrônicos que também ganharam a denominação de RPG, pois eram jogos que tinham aspectos semelhantes ao RPG analógico. Na linha desse estilo de jogo podemos destacar o Final Fantasy, o Chrono Trigger e o Dragon Quest. Mas estes jogos não fazem parte do objetivo desse trabalho.

Elementos de uma partida de RPG

Mestre (narrador): Sua primeira denominação no livro Dungenos & Dragons 1ª edição foi “Dungeon Master”, em português “Mestre da Masmorra”. Aparece em vários livros com nomenclaturas distintas.

Alguns RPG´s extinguem a presença do mestre, esses têm a chamada “narrativa compartilhada”. Ele é o responsável por elaborar a histórias que os personagens vão viver, funcionando como um narrador, mas não constrói a história sozinho.

Imagine um diretor de filmes que faz todo o roteiro, mas esse filme não permite que as cenas voltem, ou que os atores ensaiem as cenas. As decisões são todas improvisadas pelos jogadores, e o mestre deve ter a capacidade de revelar o que acontece na cena após cada ação de um jogador.

Jogador: Ele é o explorador do mundo fictício, é o ator que irá interpretar os heróis ao decorrer dos desafios impostos pelo mestre. O jogador deve conhecer a base do sistema e do cenário que se passa o jogo.

Cenário: Local onde se passa a história. Existem cenários medievais, futuristas, steam punk, pós apocalípticos, atual, etc. Todos os cenários podem fazer parte do nosso mundo real ou de um mundo fictício criados por autores de RPG, ou pelos próprios jogadores. Os personagens devem estar adequados a ele.

Sessão de Jogo: É cada encontro de jogadores para uma partida, com duração determinada por eles. Na utilização do RPG em sala de aula, pode-se tomar o tempo de uma ou duas aulas como uma sessão de jogo.

Cenas: São simplesmente trechos de uma sessão de jogo.

Testes: É cada vez que você tiver que desafia alguma habilidade do seu personagem. Nos RPG´s tradicionais, os testes consistem na rolagem de dados e comparados com algum valor base para a resolução da tarefa.

Desafios: É tudo aquilo que exige um esforço além do comum para ser superado. Passar por uma porta é uma tarefa fácil, mas se um vilão está entre você e a porta, talvez essa tarefa não seja tão fácil assim. Os desafios compreendem combates físicos (somente entre os personagens. Lembre-se, RPG se passa na imaginação), armadilhas, decifrar enigmas, etc.

1.5 Acessórios utilizados no RPG

Os RPG´s variam em quais acessórios são utilizados. Apesar de utilizarmos a sigla RPG para o jogo, RPG na verdade é um gênero onde estão inseridos vários jogos com mecânicas diversas. Nenhum dos itens citados abaixo são obrigatórios, mas estão listados aqueles que são encontrados com maior frequência.

Dados: Está presente na grande maioria dos RPG´s. Os mais utilizados são os dados com quatro, seis, oito, dez, doze e vinte faces. Eles servirão para determinar acontecimentos aleatórios.

Por exemplo: Se um jogador resolve dizer que o seu personagem dispara uma flecha contra o inimigo, ele deverá rolar o dado exigido nas regras do jogo e somar com alguns dados da sua ficha de personagem. Alguns jogos substituem as rolagens de dados por cartas, moedas, cronômetro, etc.

Ficha de Personagem: Cada jogador possui a sua. Elas consistem em uma folha de papel com informações impressas, e variam de RPG para RPG. É nela que contém todas as habilidades, equipamentos, e características gerais que o personagem possui. Essas características muitas vezes vêm representadas através de números ou de marcadores.

Livros de Regras: São livros que contém o funcionamento do sistema. Neles você pode encontrar um tutorial para criação da ficha de personagem, regras de combates, regras para testes diversos dentro do jogo, etc. Alguns livros de regras também vêm acompanhados de um cenário já proposto pelo jogo.

Grid de Combate: Alguns jogos utilizam uma espécie de tabuleiro quadriculado, sem distinção entre seus quadrados, para representar concretamente uma cena de combate. Os personagens são representados através de miniaturas, e cada quadradinho do grid indica a posição do personagem na cena, numa escala determinada pelo jogo.

Miniaturas: São utilizadas para representar concretamente os personagens criados na imaginação. Essas miniaturas muitas vezes são improvisadas ou substituídas por qualquer objeto que poça servir como marcador no grid.

Escudo do Mestre: Um material geralmente de papelão, colocado à frente do mestre para esconder as rolagens de dados dele. Na maioria dos jogos, o mestre não precisa revelar as suas jogadas.

 

Exemplo rápido de uma cena de jogo

Para entender um pouco de como o jogo funciona na prática, cabe aqui uma demonstração prática, de um cenário medieval.

NARRADOR – Vocês seguem pelos corredores escuros e úmidos do subterrâneo da fortaleza. A luz das tochas de vocês mostra uma bifurcação à frente. Quando vocês se aproximam, percebem um brilho do lado direito, como se alguém estivesse segurando uma tocha também, além da esquina. O que vocês vão fazer?

HELIAS – Eu paro e falo baixinho para o grupo: “E aí, pessoal, o que vamos fazer? ”.

NATANAEL – Eu falo: “Psiu! Cala a boca e apaga essa tocha, senão podem nos ver também! ”.

HELIAS – Sim! – Eu apago a tocha e faço meu guerreiro pegar o escudo.

HANDERSON – Eu também vou me preparar! Pode ser que tenha algum inimigo bem à frente, só esperando uma oportunidade para nos emboscar. Saco meu machado!

NARRADOR – Ok. Vocês apagam as luzes e sacam suas armas, preparando-se para o pior. Algum de vocês consegue enxergar no escuro? Seu personagem Camila?

CAMILA – Sim, sou uma elfa das florestas. Vou esperar eles pararem com essa barulheira e fazer minha personagem tentar ouvir alguma coisa, e então poderei avançar e ver se tem ou não perigo adiante

NARRADOR – Ok, Camila! Vamos rolar os dados! Se você passar no teste eu lhe direi o que sua personagem ouviu, e depois faremos um outro teste para determinar se ele conseguiu enxergar algo à frente…