Encontros Aleatórios

Deixe-me chover no molhado e começar analisando o que é e pra que serve um “encontro aleatório”, e as melhores maneiras de incluí-los (ou não!) em suas aventuras/crônicas/campanhas/whatever.

Não tive paciência de pesquisar, mas acredito que a técnica de inserir encontros aleatórios numa aventura se restrinja ao Dungeons & Dragons mesmo (sendo depois copiado por trocentos jogos de videogame), principalmente as edições mais antigas. Não lembro de ter visto uma tabela em Vampiro escrito “1-2: 1d10 Ravnos”, ou algo do tipo… o fato é que essa é uma prática utilizada para ensinar aos mestres iniciantes à respeito do caos numa partida de RPG: Nem tudo pode ser controlado e medido, senão fica previsível demais.

OK, mestres experientes costumam fugir do “mais do mesmo” e preparar surpresas para seus jogadores sem precisar de encontros aleatórios. Outros alegam que acham absurdo rolar numa tabela de monstro errante e sair “1d4 águias”, principalmente se os personagens estão numa caverna…

Vamos então pensar em maneiras de tornar o uso de encontros aleatórios um prazer, não uma obrigação chata ou uma perda de tempo.

No Lugar Certo

Tirando as bizarrices que podem aparecer, uma tabela de encontros aleatórios geralmente é dividida por local – como “Primeiro piso da Dungeon” ou “Floresta do Sapo Manco”. Isso em vários níveis: Tanto pode variar para uma forma bem geral, como “FLORESTA”; Ou pode chegar num nível de detalhamento que não aconselho a ninguém, exceto aos mais paranoicos (Como assim “A terceira sala do tesouro do Faraó tem uma tabela de encontros só pra ela?”). Se você está usando ou pretende usar uma tabela que lhe presenteie com resultados absurdos, use seu bom senso e mude-os.  E pare de mimimi!

Na Hora Certa

Seus personagens estão seguindo a pista de um Druida louco que começou a atear fogo na floresta. Quando eles estão quase descobrindo o local de mais uma atrocidade… rá! Surge uma matilha de lobos famintos! Joga a iniciativa!

Exagerei mesmo pra não ter que falar, mas vou falar assim mesmo: TÁ ERRADO! Por mais inseguro que você seja, evite colocar encontros aleatórios num momento crítico da aventura. Prefira planejar bem o que vai lançar contra os jogadores, assim você não “corta o clima” e mantém o interessa na trama.

Outra coisa a se falar sobre “timing” e trama é: mantenha a história avançando, keep walking! Se você está sem ideias pra fazer com que determinada pista ou informação vital caia em poder dos personagens, experimente colocar um bilhete no bolso do próximo… hum… (rola os dados)… BUGBEAR!

A Pessoa Certa

Níveis… Ah, essa ferramenta evolutiva presente nos RPG’s, que tanto empolga os jogadores! Ouvi dizer que encontrar monstros apenas dos níveis dos personagens está errado, não faz sentido. Concordo. Nos tempos de AD&D, não lembro de ter tabelas de encontros aleatórios dividida por níveis. Se você vaga numa colina que é lar de Beholders, é mais fácil encontrar Beholders lá, não?

Um mundo onde um Dragão Verde habita certa selva, e que conste o tal dragão na tabela de encontros daquela selva, é muito mais plausível, não importa o nível dos personagens. Tá com medinho do dragão? Fica bem longe das árvores então…

Deixe bem claro para seus jogadores que eles não são obrigados a bater em qualquer coisa viva que cruzar seu caminho. Se forem espertos, podem conseguir muito mais do que tesouros e XP do tal dragão verde.

Resumindo

Enfim! Trate de usar os encontros aleatórios como uma ferramenta, não como muleta ou “saco de XP”! Nada destrói mais o espírito de verossimilhança do RPG do que encontrar um tubarão… do nível dos personagens… dentro do castelo do Rei!

One thought on “Encontros Aleatórios

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